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Mensagem de Natal

dezembro 10, 2009 by  
Filed under Notícias da igreja

med_Monson00_7Dec2009O Devocional de Natal Anual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi realizado neste último Domingo, 6 de Dezembro, no Centro de Conferência em Salt Lake City, Utah (EUA). Video e audio deste devocional estão disponíveis em Português no site oficial da igreja. Presidente Thomas Monson encerrou o devocional com uma história de Natal comovente que demostra o verdadeiro espírito natalino.

“Encontramos a verdade em uma expressão que encontramos em um de nossos hinos ‘veloz nos foge o tempo’, outro ano já se passou, trazendo de volta a época do Natal. Tenho recentemente recordado natais passados e percebi que provavelmente nenhuma outra época do ano nos traz recordaçoes tão comoventes. Os natais mais memoráveis em geral tem pouco haver com bens materiais, mas muito haver com famílias, com amor e com compaixão e carinho. Pensar assim dá esperança àqueles entre nós que temem que o singular significado deste dia se dilua no consumismo, no antagonismo das diferentes crenças ou então na agitação das festas, que podem levar-nos a perder aquele espírito especial que deveríamos desfrutar. Para muitos os excessos são comuns nesta época do ano, simplesmente queremos fazer mais do que nossas forças nos permitem. Talvez não tenhamos dinheiro suficiente para gastar nas coisas que acreditamos ter necessidade, muitas vezes nossos esforços natalinos resultam em estresse, pressão e desgaste em uma época na qual deveríamos desfrutar das coisas simples da celebração do nascimento do menino de Belém. Em geral, entretanto, o espírito especial desta ocasião acaba encontrando eco em nosso coração e na nossa vida, apesar das dificuldades e distrações que podem ocupar nosso tempo e energia.

Há muitos anos, eu li sobre um acontecimento natalino que envolveu milhares de viajantes exaustos que estavam retidos no congestionado aeroporto de Atlanta, no estado da Georgia (EUA). Uma tempestade de neve tinha causado grandes atrasos nos vôos enquanto aquelas pessoas tentavam chegar à algum lugar para o natal, provelmente para chegar em casa. Aconteceu em Dezembro de 1970, ao soar a meia-noite, passageiros frustrados aglomeravam-se à frente dos balcões e ansiosamente questionavam os atendentes cuja a paciência àquele ponto já se evapoara. Também eles gostariam de já estar em casa. Algumas pessoas conseguiram cochilar em cadeiras confortáveis, outros foram para as bancas de jornais e ficaram folheando as publicações, se algo em comum havia entre toda aquela multidão diversa era a solidão. Uma solidão involvente, entristecida e insolente, porém a civilidade exigia que cada uma tivesse uma barreira invisível que os separava dos demais. A solidão era melhor do que ficar ouvindo as inevitáveis reclamações de abatimento e desânimo dos outros. Na realidade, havia mais passageiros do que lugares disponíveis nos vôos, sempre que um avião conseguia decolar, havia mais passageiros deixados para trás do que os que embarcavam. As palavras ‘lista de espera’, ‘ reserva confirmada’, ‘primeira classe’ estabeleciam prioridades e evidenciavam dinheiro, poder, influência, previdência ou a ausência dessas coisas.

O portão 67 era o micro-cosmo daquele tristonho aeroporto, pouco maior do que um cubículo envidraçado, a sala de embarque estava apinhada de passageiros que tentavam voar para Nova Orleans, Dallas e outras cidades do Oeste americano. Havia pouca conversa  no portão 67, exceto entre pessoas que viajavam acompanhadas. Um viajante olhava distraidamente para cima resignado, uma jovem mãe aconchegava o bebê nos braços balançando-o levemente em um esforço vão de acalma-lo, e havia um cavalheiro muito bem vestido, que parecia insensível ao sofrimento coletivo, sua atitude era de indiferença, absorto em sua papelada, talvez calculando os lucros da firma no final do ano. Um passageiro mais agitado poderia compará-lo a Ebenezer Scrooge, o personagem mal-encarado de ’Um Conto de Natal’. De repente o silêncio relativo foi quebrado por um tumulto, um rapaz de uns dezenove anos em uniforme militar, conversava agitadamente com um funcionário da empresa aérea. Ele tinha um bilhete de classa econômica e insistia com o funcionário para embarcar para Nova Orleans afim de tomar um ônibus até o desconhecido vilarejo a que ele chamava de lar. O funcionário aborrecido explicou-lhe que as possibilidades seriam mínimas nas 24 horas seguintes, talvez mais. O rapaz ficava cada vez mais agitado, logo após o Natal ele seria enviado para o Vietnam, onde a guerra estava violenta e se não fosse para casa agora talvez nunca mais passasse o Natal lá. Até o cavalheiro indiferente retirou os olhos de sua papelada e demonstrou interesse reservado na conversa, o funcionário estava visivelmente comovido, até mesmo constrangido. Mas tudo que ele podia oferecer era compreensão, não esperança. O jovem ficou em pé em frente ao balcão olhando ansiosamente para a multidão como se esperasse ao menos uma expressão de simpatia.

Finalmente o funcionário anunciou que o embarque teria inicio, os passageiros que esperavam havia várias horas ergueram-se e reuniram seus pertences e desceram rapidamente pelo estreito corredor até o avião, vinte, trinta, cem passageiros. O avião estava lotado, o funcionário olhou para o ansioso jovem e demonstrou que nada podia fazer. Inexplicavelmente o cavalheiro elegante ainda não embarcara, então ele se dirigiu ao balcão e disse discretamente ao funcionário “meu bilhete está confirmado, gostaria de dá-lo a este jovem”. O funionário encarou-o mal acreditando no que ouvia enquanto ele indicava o soldado que, sem encontrar palavras e com lágrimas escorrendo pelo rosto, apertou a mão do cavalheiro que murmurou apenas “Boa sorte, tenha um feliz Natal. Boa sorte”. A porta do avião se fechou, os motores aumentaram a rotação para partir, o cavalheiro virou-se, pegou a pasta e caminhou lentamente em direção do restaurante 24 horas.

Pouquíssimas pessoas, entre as milhares que se achavam ilhiadas no aeroporto de Atlanta testemunharam o drama vivenciado no portão 67, mas para os que o presenciaram o mal humor, a frustração e a hostilidade dissolveram-se em novo alento. Aquele ato de amor e bondade entre estranhos tinha trazido o espírito de Natal ao coração de todos. As luzes do avião que partia piscaram como estrelas na noite enquanto a aéronave mergulhava na escuridão do céu. O bebê agora dormia calmamente nos braços da jovem mãe, talvez outro vôo pudesse partir em algumas horas, porém quem testemunhou o ocorrido ficou menos impaciente, esse novo espíeito suave em profusão permeou o pequeno estábulo envidraçado do portão 67.

Meus irmãos e irmãs, a verdadeira alegria do Natal não provém da agitação e da pressa de fazer mais coisas ou de comprar os presentes esperados. A verdadeira alegria vem ao mostrar-mos o amor e a compaixão inspirados pelo salvador do mundo que disse : ”Quando fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Nesta alegre ocasião, que as desavenças pessoais sejam esquecidas e as animosidades curadas. Possa o júbilo do Natal conter a atenção ao necessitado e ao aflito, que o nosso perdão alcance aos que nos ofenderam, assim como esperamos também o perdão. Que a bondade seja abundante em nosso coração e que o amor prevaleça em nosso lar ao planejar-mos os gastos com os presentes de Natal. Planejemos também como usar o nosso tempo para trazer o verdadeiro espírito de Natal à vida do próximo. O senhor presenteou imensamente a todos e seus dons são de valor inestimável, em Seu ministério Ele abençoou o doente, restaurou a visão ao cego, curou o surdo e fez andar o couxo e o manco. Ele tornou limpo o que era impuro, restaurou ao morto o fôlego da vida, deu esperança ao debilitado, e levou luz onde havia escuridão. Deu o Seu amor, Seu serviço e Sua vida.

Qual é o espírito revelado no Natal? É o Seu espírito, o espírito de Cristo. “O dom glorioso, divinal, nenhum ruído faz, porém a este mundo vil,  amor e esperança traz. Sereno e sem arautos, sem toques de clarim traz ele ao mundo redenção, Amor e paz sem fim!” (Hinos da Igreja, “Pequena Vila de Belém”, 129),

Com o puro amor de cristo caminhemos em suas pegadas nesta época em que celebremos seu nascimento, ao fazer isso lembremo-nos de que ele ainda vive e continua a ser a luz do mundo que prometeu ‘quem me segue não andará em trevas mas terá a luz da vida’. A cada um de voçês meus irmãoes e irmãs eu estendo meu amor e minha benção, tenham um feliz Natal, que haja amor, bondade e paz em seu coração e em seu lar, que até aqueles corações que estão pesarosos se ergam pela cura que vem somente daquele que consola e funda segurança. Com o espírito de Cristo em nossa vida, teremos boa vontade e amor pela humanidade não somente nesta época, mas durante todo o ano. Oro para que sejam essas nossas experiências e nossas bençãos. Em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor, amém.”

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